O Longo Conflito entre Palestina e Israel

Um mergulho na história para entender os conflitos atuais entre palestinos e israelenses. 


    No dia 7 de outubro deste ano, o grupo islâmico Hamas atacou em larga escala civis israelenses. Esse acontecimento chocou o governo de Israel, e assim se deu o início a atual guerra entre os dois grupos. Entretanto, o conflito entre Israel e grupos palestinos não é de hoje, e os ataques recentes ocorreram por uma questão histórica entre muçulmanos e judeus, relacionado as terras de Gaza e Cisjordânia, por motivações socioeconômicas.

                        Fonte: Brasil Escola disponível em https://brasilescola.uol.com.br/geografia/o-conflito-na-palestina-faixa-gaza

    A situação tensa entre judeus israelenses e muçulmanos palestinos tornou-se verdadeiramente um conflito após a declaração da criação do estado de Israel, em 1948. Mas, os desentendimentos devido a divisão dos territórios começaram um pouco antes.  A Palestina fica localizada no Oriente Médio, entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, e até a Primeira Guerra Mundial, estava sobre domínio do Império Otomano. Logo após o fim do império turco, a região passou a ser controlada pelo imperialismo britânico. Por muito tempo, os judeus se fixaram na Europa, mas com o Holocausto, muitos começaram a migrar para a região da Palestina, numa tentativa de voltar a chamada “Terra Sagrada”, passados mais de 2000 anos da diáspora.

     A migração de judeus para Palestina ocorreu principalmente pelas ideias sionistas que se reforçaram na Segunda Guerra Mundial. O sionismo defende que a terra dos judeus deveria ser no território palestino, e foi graças a esses ideais que os judeus começaram a pressionar pela criação do Estado Judeu, Israel.

    Israel teve a declaração da criação de seu Estado, e o resto da região que ficaria para os palestinos seria a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Os palestinos não concordaram com a divisão prevista pela ONU, visto que ela separava os palestinos e os israelenses ficaram com 55% da terra, enquanto eles que estavam estabelecidos na região há mais tempo ficaram com 45%. Também foi estabelecido que Belém e Jerusalém seriam territórios internacionais, mais tarde Israel descumpriu a proposta e definiu Jerusalém como capital. Israel passou a ocupar regiões a mais do que foi previsto pela ONU, deixando palestinos insatisfeitos. 

                     fonte: Jornal da USP disponível em https://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2021/06/questao-israel-palestina-73-anos-de-limpeza-etnica/


    No mesmo ano da fundação do Estado de Israel, iniciou se a Nakba, que foi um conflito travado pelos países árabes onde eles invadiram Israel. Ao fim da catástrofe, muitos palestinos foram expulsos de suas terras, isso permitiu que os judeus israelenses aumentassem seu território e ocupassem as regiões previstas para a Palestina.

     Em 1967, começa uma nova tensão chamada Guerra de 6 dias, onde Israel invade o território da Faixa de Gaza e a Cisjordânia, ambos permanecem ocupados até os dias de hoje. Também foram ocupados a Península do Sinai no Egito e as Colinas de Golã na Síria.  As ocupações e a inexistência de um Estado palestino são os motivos que mais afligem os palestinos, enquanto israelenses são considerados cidadãos e tem o Estado Judeu apoiado pelo Estados Unidos e pela mídia hegemônica, os palestinos são uma nação sem território e não possuem Estado próprio, ocasionalmente recebendo apoio dos países muçulmanos.

      Essas tensões entre Israel e Palestina resultaram no surgimento de um novo grupo nacionalista palestino, o Hamas, que surgiu na década de 80. O grupo foi criado com o intuito de defender o povo palestino e retomar suas terras, incentivando o conflito armado contra o governo israelense e pregando a extinção do Estado Judeu.  O Hamas foi influenciado pelos ideais da Irmandade Mulçumana, uma organização que visava o fundamentalismo religioso dos países de maioria muçulmana. 

    Atualmente, o Hamas é considerado a maior força militar palestina, entretanto, a opinião da população palestina é dividida, e muitos não concordam com as ações militares do grupo contra os israelenses. 

         Já nos anos 90, é acordado um tratado de paz entre Israel e Palestina, o Acordos de Paz de Oslo. O tratado consistia de um conjunto de acordos que visava a paz entre ambas nações, assinado pelo governo israelense e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Os acordos tiveram 3 etapas, a primeira, que foi a única cumprida, cobrava a retirada israelense da Faixa de Gaza e de cidades da Cisjordânia.

               Mesmo com os acordos, os conflitos entre israelenses e palestinos permanecem. Em 2007, após a chegada do Hamas ao poder, o Estado de Israel impôs um bloqueio na região da Faixa de Gaza, impossibilitando que palestinos entrem ou saiam da região. Uma lei israelense que afirmava que Israel era um Estado totalmente judeu foi criada em 2018. Ela também estipulava que o cidadão israelense só poderia se considerar assim se fosse hebreu, excluindo os palestinos dessa categoria. Percebe-se que o povo palestino não possui um Estado próprio, e vive sobre as condições do Estado de Israel, sendo sujeitados muitas vezes a opressão que causa desigualdade entre os povos da região.

                O governo de Israel e seus apoiadores enxergam o Hamas como terrorista, justificando uma postura imperialista de tomada de terras palestinas e ataques direcionados aos mesmos. Em contrapartida, os apoiadores da Palestina defendem que é necessário a criação de um Estado palestino, e definem a situação atual como um apartheid, ou seja, como segregação étnica. Universalmente, o conflito entre árabes e judeus é considerado um dos mais urgentes a terem uma resolução, pois podem se alastrar a todo o globo. 



Texto por: Zoé Jacob

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