DIA DA MULHER: A invisibilidade do trabalho de cuidado feminino.

    As responsabilidades predefinidas para meninas e mulheres e o peso delas no dia a dia. 

    Ano passado, repercutiu o tema da invisibilidade do trabalho feminino, por ser tema de redação do ENEM. Passou, o tema foi esquecido, e muitos ficaram sem mesmo entender, afinal, o que isso significa? Então, vamos pular o "Feliz dia das mulheres!"com laços e fundo rosa, e no lugar, trazer uma reflexão sobre os papéis de gênero impostos em nossa sociedade.

    De acordo com o IBGE, as mulheres dedicam 10,4 horas por semana a mais do que os homens, e independente de raça, o número continua maior para moças. Há anos a mulher ingressou no mercado de trabalho, e suas responsabilidades perante ao mundo dobraram. A cobrança externa sobre elas vai de fatores estéticos a emocionais, e é aplicada em boa parte dos ambientes onde elas se colocam. É entendido que a mulher começou a trabalhar recentemente, mas essa visão ignora todo um trabalho de cuidado historicamente atribuído a ela, seja faxineira, mãe, babá. 

    A responsabilidade de limpar a casa, cuidar de uma criança, cozinhar e entre outras recai sobre as garotas e mulheres há muito tempo, e no Brasil elas afetam principalmente garotas de baixa renda e negras. A principal problematica disso é que, esse trabalho permanece não remunerado, permanece ignorado e não é enxergado como válido. Fala-se muito da mulher empresaria, trabalhadora, e esquecem de que ela também carrega o peso das tarefas domiciliares, de filhos, de compreender aos outros e servir de apoio emocional. Mulheres que trabalham em casa também tem um trabalho pesado, que não é reconhecido.

    Essa tendencia do apagamento do trabalho feminino não é novidade, e pelo contrário, foi algo construído no imaginário popular através de séculos. O papel da mulher é muito bem definido desde o momento de sua nascença, suas responsabilidades são impostas desde cedo, meninas são incentivadas a ter brinquedos de cozinha, bebês, tudo isso para seguir dizendo as jovens os lugares que elas deveriam ocupar. A sociedade não impõe somente essas responsabilidades, como também reforça a forma que a mulher deve se portar perante aos outros, ser prestativa, cuidar. 

    Na criação masculina, são ensinados conjuntos de comportamentos que contribuem para a opressão feminina. Em sua casa, ele via sua irmã, sua mãe, sua vó, as mulheres de sua família eram encarregadas pelo trabalho doméstico. Isso não era esperado dele, logo, não aprendeu a cuidar de sua casa, e mesmo adulto, continuou dependendo do trabalho de uma mulher. Quando as pessoas crescem com a desigualdade, se torna difícil enxerga-la, afinal, esse é o normal. 

    É importante, que como um conjunto, reconheçamos esses padrões para poder quebra-los. Eu reconheço o trabalho das mulheres presentes no meu dia a dia? Eu, como mulher, sou valorizada na posição que estou? Estou sobrecarregada? Temos que nos questionar, para não perpetuar a invisibilidade do trabalho feminino. Para não continuar normalizando-o. Não só questionar, mas tomar ação, mudar a forma que enxergamos as mulheres ao nosso redor, diminuir nossas cobranças sobre elas. 


Escrito por: Zoé 

   

    

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